16 de fevereiro de 2021

REPLICANDO O AMOR

 


Hoje 16/02/21 dia do aniversario do meu Thiago, volto a ativar meu blog que estava inativo desde 2016 .  

Esta foi a mensagem que postei nas minhas redes para celebrar seu dia. 

Hoje comemoro a chegada do meu amado segundo filho Thyago na minha vida, ele completaria 38 anos se ainda estivesse conosco fisicamente. A maternidade é uma luz na minha vida e esta experiencia me inspirou a fundar o Projeto Acolher Perdas e Luto a 3 anos para acolher pessoas que passam pela mesma experiencia do luto que eu passei. Se você ainda não conhece este Projeto e precisa ser acolhido venha fazer parte, se você passou por uma experiencia como a minha ou conhece a dor por outros caminhos, venha para juntarmos forças, pois se você recebeu o presente de ser amado, você pode transbordar amor em muitos outros corações que se encontram vazios, que nunca experimentaram esta sensação que você tem em abundância.

Então eu quero te fazer este convite, venha se tornar conosco um "REPLICADOR DO AMOR" #replicadordoamor 

www.projetoacolherperdaseluto.com.br


20 de outubro de 2016

SAUDADES




Meu segundo filho Thiago retornou a vida espiritual dia 10/10 a 32 anos, aos seus 1 ano e 8 meses, uma data inesquecível para mim.
Este ano como sempre chegou mais um dia 10 de Outubro, porém este ano foi especial, não porque a saudades foi menor do que dos outros anos, mas porque vivi este momento com a chegada da minha neta Amanda dia 6 de Outubro e com a presença do meu neto Gabriel. Juntos passamos o dia 10 celebrando a vida, cheios de alegria e momentos felizes na companhia das crianças.

Fiquei pensando como Deus está sempre gerando novas oportunidades na nossa vida para lidarmos com a nossa historia, com nossas dores, nosso aprendizado, nosso projeto reencarnatorio, sempre nos abrindo portas nos mesmos temas, por diversos ângulos, com dinâmicas criativas, para que nossos sentimentos criem maturidade, profundidade, entendimento, resiliência, aceitação e fé,  nos levando a uma visão mais ampla da vida e tudo que a ela nos envolve.

Nesta encarnação o materno, o acolhimento, a entrega, os cuidados, o servir, o nutrir, é o projeto pessoal de aprendizado e trabalho a ser realizado, é a luz a ser acessa na minha vida, são os sentimentos a serem ativados no meu intimo, dentro da capacidade de compreensão que em cada década, cada ano, cada dia possa ir desenvolvendo para crescer como ser humano.

Concluo hoje, que o mais importante para minha experiência é perseverar no meu desafio, me manter no foco,  ser consciente da minha missão pessoal de quebrar paradigmas consanguíneos, me auto conhecer através do amor que posso nutrir pelo próximo, cultivando a construção da família universal no meu coração, com a visão de um espirito imortal que sou.
Tenho muita gratidão a vida, e espero poder honrar a oportunidade que ela me ofereceu, promovendo através das perdas dos meus dois grandes amores, a possibilidade de focar na busca em despertar um coração mais generoso.

10 de outubro de 2012

DIMENSÃO ESPIRITUAL


Hoje fazem 28 anos que Thiago voltou para a dimensão Espiritual.
Tantas lembranças
Tantos momentos alegres que vivemos juntos
Tanto aprendizado com sua chegada e com a sua partida
Me senti uma sobrevivente por muitos anos.
Hoje não sou mais sobrevivente , sou uma vivente ,vejo a vida através do olhar MATERNO, e gosto muito do que vejo.
Vejo o amor como oportunidade de manifestação do materno.
Agradeço a  experiência valiosa e modificadora da minha trajetória por ser mãe, e  recomendo a todos, porém não perco de vista, que ter sido mãe foi uma experiência entre tantas outras, nesta minha fase humana.
O que realmente sou é um Ser Espiritual, que engloba todas as possibilidades, e dentre elas na fase humana ser pai, ser mãe, ser filho, ser amigo, ser companheiro, ser.........
Um beijo no coração de todos


10 de outubro de 2011

DATA DO RETORNO



Amigos que acompanham a minha trajetória,
Todas as datas são muito especiais para mim, mas a data do desencarne do Thiago foi marcante nesta minha encarnação.
Marcante a 27 anos pela dor e sofrimento.
Marcante a medida que os anos foram passando pela saudades e as lembranças.
Marcante no decorrer deste percurso pelo aprendizado e a transformação que se fez necessária para sobreviver a minha história.
Marcante nos últimos 15 anos pelo meu entendimento em não mais sobreviver e sim viver.
Marcante, mesmo sendo apenas mais uma história, diante de tantas que eu escuto, mas que me transformou, focou, ampliou e dinamizou a minha consciência.
O marcante de tudo isso foi o treino do AMOR.
Nestes últimos anos tenho tentado fazer de cada dia em minha vida um dia MARCANTE.
Fiz amigos marcantes
Vivi momentos marcantes
Falei frases que marcaram a vida de alguns
Ouvi e li frases que marcaram tremendamente a minha vida
A entrega a meu trabalho tenho feito de forma marcante para mim.
Busco trocar de uma forma marcante quem sou e quem o outro me oferece ser.
Meus FILHOS foram a experiência mais marcante nestes meus 50 anos .
Agradeço a Deus por esta encarnação na qual tenho vivido tantas EMOÇÕES marcantes de amor.
Um beijo no coração de todos

28 de julho de 2010

UMA CURTA PASSAGEM PELA TERRA

Meu nome é Rosana De Rosa e gostaria de dividir com vocês a minha história MATERNA.
Alguns de vocês vão ler este blog e já conhecem minha história. Outros me conhecem, mas nada sabem sobre esta parte tão importante da minha vida.  Provavelmente, muitos não me conhecem e não me conhecerão, mas temos uma história em comum. De qualquer forma, acredito que trocar experiências promove crescimento, por isso resolvi escrever sobre a minha EXPERIÊNCIA COM A MATERNIDADE. 
Gostaria de iniciar com a minha primeira gravidez:
  
LUIZ FELIPE
MEU PRIMEIRO FILHO
Em 1981 aos meus 19 anos vivi minha primeira experiência Materna.
Ao saber que estava grávida, fiquei muito feliz e também todos a minha volta.
Morava no Rio de Janeiro e minha família em São Paulo, ficamos curtindo à distância.
Desfilava na praia com aquela barriga imensa, cheia de orgulho e alegria pela chegada daquela criança que ainda não sabia o sexo, mas o esperava com muito amor.
Aos 8 meses, tive um mal súbito e fui ao médico, lá ele me informou estar com 16 de pressão e me mandou fazer um ultrassom, deixando-me sair com a pressão alta sem um atendimento.
Acompanhada de minha ajudante,  peguei um táxi em direção ao hospital. No táxi, tive minha primeira convulsão (eclâmpsia). Inconsciente, levaram-me para casa ao invés do hospital. Já em casa,  tive algumas outras convulsões com minha filha postiça me ajudando, até que uma amiga me ligou e quando a atendi , percebeu minha voz, chamou a ambulância e salvou minha vida. Fui levada ao hospital e na ambulância tive outra convulsão. No hospital, já com a companhia de familiares , fui informada que o hospital da Lagoa não tinha recursos para me ajudar. Pediram minha transferência para o hospital São Silvestre, mas não tinham ambulância disponível e enquanto esperava mesmo medicada, tive outra convulsão.
Isso já durava das 15h às 22h,  quando minha família chegou no último vôo de São Paulo. Pensavam que estava inconsciente e informaram a todos da família que meu filho já estava morto e não garantiriam pela minha vida.
Eu, ao
ouvir o médico, comecei a me despedir mentalmente de todos, pois minha partida se fazia presente. Porém as horas foram passando, e às 3 da manhã, finalmente puderam fazer uma cesariana, quando minha pressão abaixou de 23 por 18 que havia chegado à normalidade.
Eu e meu filho fomos salvos pelo superintendente que estava no hospital nesta noite, Porém meu filho não tinha seu pulmão totalmente formado aos 8 meses e ficou respirando artificialmente.
Com suas 24h de vid
a, fui informada da sua situação e pedi que me deixassem ir a UTI vê-lo. Acabaram concordando devido à gravidade do seu caso.



CONTATO DIVINO

Quando na UTI, cheguei, vi aquele ser com 1.800 quilos, dentro da incubadora. Tive a oportunidade de tocar meu dedo na sua mão, e ele fechou sua mão envolvendo todo no meu dedo. Este foi o único contato físico com meu filho querido. Oportunidade esta, que agradeço até hoje, na matéria necessitamos deste contato, e esta lembrança gerou muito conforto para minha alma.

Às 72h de vida, meu filhinho querido desencarnou. Minha família resolveu não me avisar devido
à minha fraca condição de saúde e ele foi enterrado. Uma amiga querida que já desencarnou  chamou um padre e meu filho foi batizado e assistido em sua partida.

Quando fiquei sabendo,  já havia acontecido e foi muito doloroso, meu filho querido partia e eu nem pude colocá-lo em meus braços e participar de sua despedida.
Quando cheguei em casa
,  com os braços vazios, foi uma emoção horrível, impotência, tristeza, dor e perda. Como elaborar que passei meses gerando este ser nas minhas entranhas e ele não ficaria conosco? Não poderíamos vê-lo crescer? Conhecer e conviver com seu espírito? Eu diria – FOI DIFÍCIL. 
Os dias foram passando e eu decidi que não teria outro filho até me recuperar. Voltei ao trabalho e fui levando os dias. Menos de um ano, nas falhas com o  anticoncepcional, estava grávida novamente.
Movida de muita medo,  mas com uma alegria imensa desta nova oportunidade aparecer para mim, resolvi fazer o pré-natal com o mesmo médico que salvara minha vida para evitar repetir o mesmo risco. Foi uma decisão maravilhosa, ele foi me assegurando que não teria problemas e fui desenvolvendo uma gravidez tranquila e feliz.
O médico me avisara da necessidade de uma cesariana, pois Thiago estava sentado.
Dias antes, o médico constatou que ele estava na posição certa, porém ele insistiu com a cesariana  devido aos problemas anteriores de saúde. O médico achou que eu não estava preparada psicologicamente para um parto normal devido ao quadro da pressão alta.  



          





THIAGO  
MEU SEGUNDO FILHO
UM QUARTO DE SÉCULO DE SAUDADES 


SUA CHEGADA

No dia 16/02/83 há 26 anos ele embarcou nesta viagem.
Chegou numa quarta feira de cinzas, balançando ao som da alegria carnavalesca que se faz presente no seu país de origem.
Nasceu no Rio de Janeiro, teve oito irmãos, um por parte de mãe e sete por parte de pai.
O primeiro neto e bisneto por parte materna. Thiago veio preencher este lugar trazendo muita alegria.
Escolhi Thiago, novamente um nome bíblico. Era uma quarta feira de cinzas, às 5 da manha, acordei com sua chegada, meu ex-marido achou que era alarme falso, eu disse “ se não me levar ao hospital vou dirigindo sozinha”.
Ao ligar para meu médico, que não queria me levar a sério, ele achou que eu tinha pulado o carnaval e pediu que eu fosse ao hospital para que os médicos me vissem. Eu disse “mas doutor eu nunca tive um alarme falso, eu sei que é a hora”.
La chegando, os médicos de plantão perceberam que minha pressão já estava a 16 e ligaram para meu médico.  Fiquei no soro até às 15h,  quando o Thiago chegou com saúde e alegria.  
Meu primeiro pensamento foi agradecer a Deus que me recompensara com uma nova chance.
Ele pegou uma infecção hospitalar na maternidade e por isso ficou mais alguns dias. Finalmente saí  da maternidade, agora com meu filho nos braços.
Voltamos para casa, todos felizes com aquela criança linda e sorridente. Os dias foram passando e Thiago era uma alegria para todos os irmãos, tia, avós. Ele era simpático e ágil, uma criança fácil de lidar. Comia qualquer coisa, apenas desenvolveu uma alergia a lactose e tomou leite de soja até seus 9 meses. Após este período,  voltou a tomar leite normalmente.

Foi uma criança alegre, carinhosa, que adorava os animais, piscina, praia, falar e brincar.
Teve uma íntima convivência com meu pai que neste período morava conosco. Um relacionamento que mudou a vida de meu pai, que não pôde aqui deixar seu depoimento por já ter também partido para o plano espiritual. Meu pai e Thiago tinham um incrível afeto um pelo outro.
Todos percebíamos como meu pai mudara com a chegada do Thiago. Era evidente a relação amorosa e antiga deles.
Teve também uma avô coruja que o mimou e tirou tantas fotos que hoje são nossas memórias materiais de grande importância.
Como uma teia, Thiago foi tecendo laços particulares com cada um que conviveu.

Seu primeiro aniversário foi uma festa linda, minha família veio de São Paulo e foi aquela comemoração no Rio. Thiago já falante, brincava e era uma presença marcante para todos.

Porém sua passagem foi muita rápida, aos 1 ano e oito meses deixou esta dimensão desencarnando afogado. Deixou muita alegria, e gerou uma mudança enorme na vida de muitos que com ele conviveram.



MATERNIDADE

O contato com o AMOR
A
maternidade, apesar dos meus 20 anos,  já não era a primeira vez, já tinha tido Luiz Felipe aos 18 anos. Poderia dizer que veio de uma forma natural, desabrochando a minha alegria e despertando a responsabilidade de ter um ser que dependia  dos seus cuidados. Saía da primeira fase da vida para uma sensação de compartilhamento. Concretizando a segunda oportunidade de trazer um espírito para o mundo material, pois Luiz Felipe tivera uma trajetória muito curta,  desencarnando com 72h  de vida.
Não sei se em função do arquétipo materno, todas nós mães sentimos esta experiência de forma parecida, conviver com aquele ser na sua rotina, que precisa de você , mas que ao mesmo tempo tem sua individualidade, seus próprios desejos de tudo experimentar, vai dando noção de quem você é naquele contexto.

Muitas vezes imagino como seria a convivência com meus dois filhos nestes 28 anos. Provavelmente teria passado pelas mesmas dúvidas de todas as mães, viveria a alegria de suas vitórias, suas incertezas da puberdade, seu primeiro beijo, seus sonhos para o futuro, dividiria suas experiências no
dia -a- dia, suas crises, buscas, frustrações, emoções, e tantos outros sentimentos que fazem parte da evolução do ser humano nesta jornada rencarnatória.

A vida me presenteara com vários filhos postiços. Tive alguns relacionamentos com pessoas que já tinham filhos, e fui podendo viver a maternidade de outra forma. Sempre fiquei grata a estas possibilidades de convivência e tenho muito amor por estes filhos postiços, que com a maior parte, convivo até hoje.


SUA PARTIDA 


Hoje, 10/10/2009, faz 25 anos que meu filho Thiago retornou ao plano espiritual.

Um quarto de século de saudades e lembranças que mudou a vida de muitos, inclusive a minha como sua mãe. Curta, mas intensa convivência com pessoas que o amaram e o amam muito.
Thiago fez esta passagem numa manhã ensolarada, num acidente na piscina da casa que eu morava. Seu brinquedo caiu na piscina e ele ao tentar pegar, caiu e bateu a cabeça afogando-se.
Neste momento, eu ensinava minha entenda a lição de casa e o jardineiro abriu o portão para molhar as plantas e esqueceu aberto.
Nossa piscina era cercada e Thiago não tinha medo nenhum, pois adorava nadar. A autopsia mostrou que ele perdeu o sentido quando bateu a cabeça e em poucos segundos seu pulmão encheu de água sem ele poder gritar ou ter qualquer reação.  

Vivi esta experiência de morte com meu filho, para ele um desenlace partindo para outra dimensão, para mim, a experiência de ficar nesta dimensão pela segunda vez com a ausência daqueles que mais amo.
Senti sua falta a minha volta e, em 3 segundos, o meu coração de mãe pulou, corri e o encontrei na piscina, como também o tirei, tentei ressuscitá-lo, implorei para que aquilo não fosse verdade e quis com todas minhas forças acreditar que não era.
Estava sem carro e corri para a rua com meu pequenino Thiago nos braços e uma alma que nunca mais vi, parou e me deu uma carona, levando-nos ao hospital mais próximo. Continuava tentando desesperadamente mantê-lo aqui nesta dimensão. Naquele momento, não sei responder se mais por mim ou por ele, mas meu instinto me impulsionava a usar todas as minhas forças.
Tentativa esta, desde o início em vão, pois ele já havia partido minutos depois de sua queda, segundo os médicos.
Vivi a frustração de novamente não poder salvar aquela vida, e junto com ele uma parte de mim senti que partia, sem eu nada poder fazer, senão entender e aceitar a minha impotência diante do movimento da vida e a situação de cada um de nós.


MORTE

Só entendi a importância da vida quando experimentei a morte dos meus entes queridos. A
importância de tudo tentarmos, de valorizarmos o que representa a vida. Infelizmente nem sempre aprendemos da forma mais confortável e agradável. Meu sentimento era que uma enorme parte de mim morrera com meus filhos. Sabia que não tinha morrido porque respirava e meus sentidos funcionavam, mas isso não parecia o suficiente para uma mãe.
Nos anos seguintes,  vivi muitos momentos de insegurança e aos meus 23 anos tudo o que tinha a meu favor era uma educação espiritual, pois minha avó  introduziu o Espiritismo em nossa família e a experiência de vida que adquirira até então.
Passei os próximos 20 anos com o medo de morrer rondando. Justificava este medo, em virtude das minhas experiências traumáticas com a morte. Este medo me causou pânico, claustrofobia, medo de enlouquecer e algumas outras coisas. 

Há alguns anos, percebi através de uma experiência mediúnica, que meu real medo era o de viver, e não de morrer. O meu medo era da vida, de não suportar o sofrimento, a saudades, não saber como viver com este desafio, de poder viver outras perdas, de enlouquecer, de não ser capaz de transmutar esta energia que cercava minha historia.
Desde então, quando percebi o meu medo da vida passei a tratar minha história de uma forma diferente.



VAZIO


Tomada por um vazio, que chamam de dor, mas sinceramente não creio que o homem tenha alcançado com a linguagem das palavras, retratarem o sentimento daquele momento.
Talvez por falta de coragem, nunca perguntei a outra mãe que tenha vivido algo parecido como foi seu vazio.
Os médicos da matéria queriam me sedar, na melhor tentativa de através da medicação paralisar ou amenizar aquela emoção que eu sentia. De forma nenhuma aceitei tomar sequer uma pílula. Perguntei ao médico: “ Você tem filhos?”  Ele disse: “sim tenho três ” , e continuei: “ você já perdeu algum?”  Ele disse - “não” respondi: “ então você não sabe o que estou sentindo para me aconselhar o que seja melhor, preciso tomar minha própria decisão. Quero ficar acordada para me despedir como meu filho merece. Não tenho,  como e não quero fugir disso que estou passando, meu filho merece que esteja por ele em todos os momentos.”  Havia passado a negativa experiência de não ter enterrado meu primeiro filho e sabia como isso tinha sido doloroso e não repetiria.
Logo veio a notícia da necessidade da autopsia, relutei, pois não conseguia imaginar meu filho sendo cortado, mas impotente,  nada pude fazer por ser a lei dos homens.
Passamos a noite com ele, pois só foi liberado da autopsia às 17h. Não quis vê- las, nem padre, rituais, somente amigos que oraram e algumas flores brancas, uma roupa branca que minha avó havia o presenteado e nossas lágrimas de adeus.
Cercado por seus irmãos e outros que o amavam,  seguimos naquela noite que nem sei se passou rápido ou devagar, pois minha memória não gravou isso. Sei que o órgão coração não dói, mas a sensação que eu tinha era que ele doía intensamente. 
No dia seguinte, chegava o momento que todos temiam inclusive eu, a Despedida. Para minha surpresa, ele foi colocado numa gaveta, por ser criança, e junto com ele assim fui eu. Tive dificuldade de aceitar deixá-lo lá, naquela gaveta ou parede nem sei, ao contrario da maioria, nunca mais tive coragem de voltar lá, queria ter a lembrança dele sorrindo, brincando não daquela parede. Levei algum tempo de terapia para entender que minha claustrofobia desenvolvera-se naquela parede.


A DOR


Tanto no desencarne do meu primeiro filho, como do segundo,  os amigos e familiares foram muito carinhosos comigo. Não poderia ter chegado aqui sem a ajuda de todos. Lembro que logo no início pensei “ não vou poder passar por esta sozinha, não quero despertar pena nas pessoas, não quero ser vítima da minha história, quero sim entender a minha história e ver o que eu vou  fazer com ela.”  Por algum tempo,  pensei que isso fosse orgulho, mas no fundo acho que tive muito receio de ficar a chata, que só reclama e sofre e que ninguém aguenta mais. Então,  resolvi silenciar sem muito falar da minha dor, pois sabia que sem o amor das pessoas eu não passaria por esta situação.     

Mas este silêncio, que todos atribuíam a minha fortaleza, me custou um preço -  não aconselho hoje ninguém a recolher-se.  Chamavam-me de “guerreira”, “ repetidamente diziam que não sabiam como eu poderia suportar isso e que eles no meu lugar não suportariam, que teriam feito uma besteira, que enlouqueceriam, que morreriam......se estivessem em meu lugar”, não sabiam como eu conseguira superar minhas perdas.

Toda admiração foi boa, entendia e entendo que estavam me dando forca, mas a fantasia de que a qualquer momento eu poderia ser tomada pela loucura devido a toda esta dor, este medo , me rondou como uma sombra por muitossssss anos.
Fiquei esperando quando eu iria enlouquecer como todos diziam que teriam feito em meu lugar. Sentia de uma forma meio inconsciente que meu dia de enlouquecer ia chegar. Não sabia como poderia evitar e se era possível.
Não contava para ninguém, porque sentia que estes pensamentos já eram um prenúncio do meu desequilíbrio e o começo da loucura.
Era muito jovem, e fiquei muito sugestionada e paralisada com as crenças do coletivo, e não tinha idade e experiência ainda para ter meu próprio parecer.
Depois de alguns anos, a depressão foi nomeada e incluí o risco de ficar depressiva e isso me rondou por um tempo também.
Demorei um tempo para perceber que não me pertenciam estas crenças e que não teria que acontecer desta forma comigo, pois tudo ia depender de como eu iria reagir a toda esta experiência.

Um ano e meio depois do falecimento do Thiago eu me separei. Meu casamento que durou 7 anos e já vinha com dificuldades,  casei-me com alguém muito mais velho que eu e com o tempo,  esta diferença pesou na harmonia da relação. Na primeira fase do nosso casamento aprendi  muito com ele, e sou muito grata e tenho um grande carinho pela pessoa dele, porém na segunda fase,  quis conquistar meu próprio espaço e aí começamos a ter problemas que levaram à  separação. Ele retornou ao plano espiritual em 2008.
Neste período da separação,  o pânico se fez mais presente, tinha que enfrentar minha dor, a insegurança de um novo recomeço, a reconstrução de uma vida solo pela frente com toda esta minha bagagem parecia assustador.
Fui algumas vezes na emergência, para ter certeza que não ia morrer de ataque cardíaco. Para os que já passaram por pânico, sabem do que estou falando, não contava para ninguém a não ser minha mãe. Quando o médico media a pressão e dizia que estava bem, sentia-me “ridícula”, achando que aquilo fazia parte da suposta loucura, porque até então nunca havia se falado em pânico.
Com algumas repetições já ia para a emergência me sentindo “ridícula” até que depois de um tempo, consegui perceber este mecanismo e modificá-lo.  


SANIDADE OU LOUCURA

Tempos depois, cheguei a cogitar num terceiro filho, porém naquela época ainda tinha a crença punitiva muito forte dentro de mim, achei que Deus poderia me fazer passar pela terceira perda. Achava também que sempre fiz escolhas atrevidas e vai saber o que eu havia escolhido passar nesta encarnação? Que poderia estar pagando por escolhas erradas do passado. Percebi este perfil bem cedo na minha personalidade, nunca deixar as coisas para depois, fazer tudo agora, e este pensamento foi me fazendo considerar que eu poderia ter uma tendência a passar tudo de uma vez e esta fantasia me apavorou e não quis fazer outra tentativa.
Lembro que quando engravidei a segunda vez, achei que Deus estava me presenteando com outra oportunidade. Nunca poderia imaginar naquela época que passaria uma segunda perda e ela aconteceu.  Recordo que algumas vezes eu disse “Deus não vai me sacanear pela terceira vez, a primeira vez acontece, e  Deus me recomp
ensara com o segundo filho, na segunda perda não ia me aventurar a ficar exposta a terceira”.

Covardia!!! Talvez , mas acho que ignorância seria a definição mais apropriada, ignorava que a minha crença era de um DEUS tão pouco flexível e tão pouco amigo, acreditava ainda num DEUS que pune e em função disso infelizmente não mais me aventurei.

Naquele momento,  tudo que consegui pensar foi na minha sanidade, não imaginava como poderia fazer para viver com este pesadelo, mas uma coisa era certa, duas vezes eu já estava experimentando de qualquer forma, mesmo sem saber o que aconteceria comigo, como eu iria “deal” com esta realidade? Porém três eu certamente não me aventuraria a este desafio correndo o risco de comprometer ainda mais a qualidade da minha encarnação.
Não pensem que esta decisão foi fácil e madura, diria que uma parte inconsciente devido ao medo, até que percebi que estava fazendo a escolha que suportava para manter meu equilíbrio e tinha que ser tolerante com minhas limitações. 
Hoje madura e com uma visão espiritual bem mais ampla em relação aquele momento, percebo que somos uma unidade e por mais que todos digam algo,  sempre poderemos fazer ou ser diferentes, depende TOTALMENTE de nós, pois, não existem regras. Cada espírito tem uma jornada individual,  tendo assim seu livre arbítrio para criar sua própria estrutura e história.

Os anos foram passando e senti que me fechei em relação ao tema das perdas. Comecei a perceber  isso porque todos se desculpavam por terem perguntando algo que pudesse me magoar,  projetando como eles se sentiam no meu lugar em relação às perdas.
Percebi que comecei a viver um outro conflito, que era o de superar e entender minha jornada, e ao mesmo tempo o de que todos não esperavam que eu superasse. Percebi que eu me sentia meio culpada por entender meu desafio e aceitá-lo enquanto todos esperavam que eu sofresse, que não pudesse ser mais feliz e eu o era.
Difícil de explicar que eu entendia meu histórico, mas que eu mesmo com este passado9não acreditava que pudesse ser feliz. Fazia parte da minha trajetória reconstruir o meu equilíbrio. 
Conforme fui amadurecendo e entendendo que comigo as coisas não aconteciam no mesmo rítmo esperado, pois fui tomando decisões que socialmente eram fora de época. Casei quando supostamente se deve estudar, tive filhos quando supostamente deveria investir na minha carreira, estudei numa fase mais madura, meus filhos se foram antes de mim e tantas outras coisas que foram me mostrando que eu não teria que me preocupar em me enquadrar na realidade da maioria e sim criar a minha própria realidade e me estruturar nela.
     

SAUDADES


Como conviver com a saudade?
Como reconstruir a vida a partir de tantas marcas?
Passei o primeiro ano, ouvindo o Thiago me chamar – “mami, mami”, tinha a impressão que ele estaria em casa quando chegasse e que poderia estar precisando de mim.
 Acordava no meio da noite e ia a seu quarto para checar se dormia. A ausência é física, de sentir o cheiro, a pele, de pegar no colo, de fazer as funções maternas que agora vão ser colocadas aonde? Vou cuidar de quem? Vou canalizar onde esta energia?  Estas não respostas é que nos deixam soltas e vazias.
Sabemos que a morte não existe e que ele vai ser assistido, mas como mães,  muitas vezes pensamos que eles precisam de nós e que nós é quem cuidamos como ninguém, e o que será deles, será que estão sofrendo, e todas estas dúvidas consomem nosso coração.
Acalentar  tudo isso é um trabalho que demanda  muita atenção com você.
Pedi a todos meus amigos desencarnados que pudessem acalentar este momento que ele atravessava com o desencarne. Que ele pudesse ser assistido pela família espiritual como eu também estava sendo assistida neste momento de transição para nós dois. 
Com o tempo, a saudades dos anos do que não convivemos também se tornou importante, o que não vivi com eles, suas experiências em cada faixa etária, a crise da adolescência, as broncas que não dei, as preocupações que não tive, as formaturas a que não assisti, as fases da vida deles que não pudemos e não podemos desfrutar juntos. Estas saudades ainda se fazem presentes hoje em muitos momentos.
Ser feliz não representa esquecer, pois se pudesse voltar atrás o teria,  mesmo sabendo que por um período curto, pois VALEU para minha evolução e com certeza para a deles também.   
Acalento hoje meus momentos de saudades, pensando neste imenso amor que sinto por eles e tudo de bom que este amor tem me trazido. 


VISÃO IMPULSIONADORA


Às vezes, penso que fui muito intransigente comigo mesma, exigindo estar bem, ser positiva, que eu tinha que superar isso tudo, que se fiquei viva,  tinha que viver com dignidade, tinha que aprender com aquele desafio, tinha que ser feliz.
Todavia, vejo que não enlouqueci pela minha intransigência em superar. Meu positivismo me impulsionou a lidar com minha dor, não me entregando ou me vitimando no meu histórico. Todos estes momentos foram etapas que me levaram à ampliação da consciência do que significa a dor, o medo, a insegurança, a perda, a vida, a morte, através dos desafios que fui passando, fui me estruturando e ganhando coragem de enfrentar o que foi aparecendo pela frente.
Não me permiti enlouquecer, me deprimir, nem demonstrar nada disso, pois achava que se assumisse, passaria a ser realidade, se toureasse tinha uma chance de por algum milagre passar por esta situação sem perder a sanidade. Acho que todos os dias esperava tanto a loucura como a total sanidade.
Quando meu segundo filho faleceu, pensei que precisava aceitar que eu não tive chance de escolher ir no lugar deles, então era porque eu tinha o que o fazer aqui, precisava continuar viva, mas teria que ser uma vida com qualidade para valer a pena ter passado por tudo isso. Não aceitava a idéia de apenas seguir um dia atrás do outro, minha vida tinha que ter um significado maior, precisava me realizar, ser feliz novamente, ser um exemplo para meus filhos, onde estivessem, de perseverança e de confiança no Universo. Este desafio a que me impôs inicialmente foram apenas idéias soltas, depois foi tomando corpo à medida que fui amadurecendo e encontrando meu caminho alguns anos depois.  

Eu tive uns pensamento assim que Thiago se foi, e  valeram como minha bússola:

-“ Se eu tivesse sido consultada por Deus, eu trocaria a ida deles pela minha, porém se assim aconteceu, é porque preciso ficar mais tempo aqui. Então tenho que ser feliz e ter um sentido na vida, para valer a pena ter passado por tudo isso e crescer. Se não do que adiantaria a dor pela dor sem um crescimento interno?. Nem poderia sonhar em passar esta dor em vão”.

- “Vou precisar do amor e acolhimento das pessoas para conseguir conviver com minha história, então não adianta ficar de vítima desta situação porque ninguém vai acolher por muito tempo alguém assim.


-"Preciso encontrar o sentido e me transformar com minha historia de vida".


MEDO

O tempo foi passando e percebi que havia feito uma parceria com o medo. Não deixava que ele extrapolasse ao ponto de ficar incontrolável e ele me dava uma trégua, ficava ausente por um tempo, mas logo retornava lembrando-me da sua parceria.
Quando me separei, tentei ser uma garota de 24 anos normal, buscando viver as expectativas de uma jovem. Dei alguns passos para frente trabalhando, fiz amigos, alguns cursos e busquei viver. Tive alguns relacionamentos com pessoas muito boas, que trataram meus medos (disfarçados pode crer) de uma forma bem natural.
Fui incentivada na minha caminhada, todos me diziam que era normal que eu ainda tivesse alguns resquícios de uma história que eu estava trabalhando para superar. Esta amorosidade foi de extrema valia, encorajando-me a continuar em busca do MEU equilíbrio emocional.
Posso dizer que era feliz, mas algo dentro de mim me dizia que precisava me aprofundar mais nas minhas questões, que estavam lá à minha espera, que não passariam com o tempo como o ditado diz,  e sim com tomada de atitudes. Não era esta resposta interna que queria ouvir, acreditem, mas isso era o que vinha do meu inconsciente.

Meus 30 anos haviam chegado, e achei que era o momento de assumir uma relação mais duradoura que batia à minha porta. Tinha muito forte o pensamento que até os 30 anos passara os desafios mais difíceis e que depois dos 30 iniciaria uma fase mais produtiva, sem necessidade de sofrer tanto e sim investir e colher melhores resultados. Porém depois de um curto tempo, percebi que não investira o suficiente em mim, para assegurar minha reestruturação e segurança, ainda estava paralisada na dor. Eu não estava fortalecida o suficiente, saí do foco de me cuidar e entrei novamente no desejo de o outro cuidar de mim.
Nos 3 anos seguintes fiquei patinando numa relação afetiva e investi muito pouco no meu avanço pessoal, pois ainda encontrava-me perdida.  
O grande aprendizado que obtive neste período foi impulsionador, percebi que ninguém poderia me fazer feliz, me dar segurança, resolver minhas carências, enxugar minhas lagrimas, entender a minha dor. Tinha que criar minha própria estrutura, meu próprio caminho e decisões.  Neste período morava em Salvador e foi exatamente o que fiz " SALVAR MINHA DOR". 
Percebi a importância de uma vida mais linear e estável,  os altos e baixos financeiros, profissionais, relacionais me desequilibravam. Iniciava a busca da construção da minha própria estabilidade. Uma nova relação agora representava dividir com alguém que desejasse o mesmo que eu - AUTO RESPEITO.

Percebi que este acordo “deal” com o medo foi uma trégua necessária para meu amadurecimento, mas que o meu medo me conduziu a escolhas movidas pela insegurança e carência em não estar sozinha nesta jornada. Agora chegara a hora de acabar com a parceria e fazer minha caminhada solo.

ESPIRITISMO

Nasci numa família espírita. Minha avó materna trouxe este conhecimento para os filhos e netos. Cresci na evangelização, mocidade, assistindo no colo de minha mãe a palestras e cursos.
Quando passei as experiências com meus filhos, este conhecimento da imortalidade do Espírito, da Vida Espiritual e do meu contato com Deus foi de imensa valia.
Apesar da dor, havia também o entendimento da jornada do espírito e de seu processo evolutivo, gerando conforto e esperança de um reencontro futuro.
Encontrei no Centro Espírita muito acolhimento para o meu momento de dor e confusão, fiz muitos amigos encarnados e desencarnados que jamais vou esquecer. Tenho uma imensa gratidão pelos meus familiares e amigos encarnados e desencarnados que vêm acompanhando minha história com muita amorisidade.

O espiritismo foi uma bússola para vários momentos perdidos, confusos e de desespero.
Hoje vejo o espiritismo como uma luz que me proporciona respostas a tantas perguntas, um caminho que abarca conhecimento e possibilidades de me desenvolver.
Digo muitas vezes que é um grande barco e que todos estamos juntos remando num mesmo objetivo, facilitando assim a nossa jornada.

A LUZ do espiritismo esta conectada ao AMOR, que é a meta de aprendizado da nossa evolução. Trazendo respostas ao por quê? Como? Quando? Esta conexão chamada AMOR gera luz, impulsionando-nos a continuar com alegria a busca de nos conhecer. Conduzindo-nos a esta grande viagem e ampliando cada vez mais nossa consciência.

Qual a religião não é o que fará diferença no seu processo de recuperação, mais sim qual a conexão que você faz ou fará com Deus é que vai colaborar para a sua reestruturação. 

AUTO DETERMINAÇÃO

Nos 2 anos seguintes, após meus 30 anos, comecei a jornada da reestruturação do meu ser. Estava já segura desta reconstrução e a necessidade de objetivos reais que me levariam a solucionar vários problemas internos. Sabia que trilharia por caminhos que exigiriam esforço, tempo, dedicação, paciência, mas estava disposta a este investimento e nada iria me fazer desistir. Cansara deste medo paralisante, do sofrimento sem resultado, e sabia que tinha que construir algo real, palpável, sólido, que fosse dar estrutura e um sentido real, para a segunda fase da minha vida.
Iniciei nesta ordem:  Primeiro a Terapia com uma psicóloga maravilhosa e querida, que me ajudou a me perceber, determinar, conhecer e cuidar de mim.  Lá, conheci minhas mazelas, as qualidades que dispunha e as que precisaria adquirir para serem os pilares da minha reestruturação. Fiquei encantada com meu tratamento na terapia, este início de investimento em mim e no incrível horizonte que se abria sobre mim.
No mesmo período, iniciei um tratamento com um médico homeopata, amigo de nossa família, o qual faço até hoje com a finalidade de trabalhar minha energia vital, possibilitando assim, lidar com os conteúdos inconscientes que vão emergindo da terapia ou do dia-a-dia, dando suporte no meu auto conhecimento. Esta foi a única medicação que usei e que poderia continuar a longo prazo sem me gerar dependência.
Minha terceira atitude foi resgatar um trabalho antigo que eu gostava de fazer. Trabalhar em qualquer emprego só para me manter, tornava meus dias ainda mais difíceis  precisa proporcionar uma rotina mais agradáveis até eu me formar.
A quarta e última, resgatar meus estudos para profissionalizar esta minha dor a serviço da minha cura e a serviço da cura do outro. 
Esta decisão aconteceu toda no mesmo ano, estava AUTO DETERMINADA a construir algo firme e claro. Fez com que aparecessem várias pessoas maravilhosas no meu caminho, facilitando o objetivo da minha jornada.
A escolha da profissão - Como psicóloga, coloquei a minha alma que conhecia a dor a serviço do bem, lidando e ajudando na dor alheia e causando um grande impacto na minha jornada.

Resgatei os estudos com muita alegria, estudei, fiz cursinho, vestibular e iniciei a faculdade. Cada etapa comemorada meu esforço. Esta jornada de cuidar de mim nunca mais parou, estou auto determinada neste desafio de me conhecer e tomar a rédea da minha vida. Eu queria fazer valer a pena toda minha experiência através da promoção do meu crescimento pessoal.
Na terapia, aprendi a conhecer minha forca, meu potencial, minha auto determinação, a separar meu desejo do desejo do outro, achar meu lugar ao sol, e dar um mergulho profundo neste encontro e comprometimento comigo mesma. Como poderia usar minha dor e medo como aliados e alavancas que me impulsionariam a chegar no sentido desta minha existência que é,  aprender a me AUTO ACOLHER A ACOLHER AO PRÓXIMO.

Não pensem que a ordem destas conclusões foram encontradas naquele momento, estas escolhas foram sendo promovidas pela minha voz interna, meu estado de amadurecimento, por estar calejada, cansada de dar cabeçada, pela minha intuição, por meus amigos espirituais, etc. Todo este conjunto VALEU.

Sabia que a dor ainda estava presente, agora crônica talvez, eu não soubera lidar muito com ela, porém soubera levá-la até o momento que amadureci e me preparei para tratá-la.
A dor e eu tínhamos um pacto de respeito, ainda que meio doentio, pois não sabia se ela não vivia mais sem mim ou se eu tinha medo de viver sem ela. Agora vivemos um estado de amizade, ambas entendendo que há muitas formas de aprender sem necessariamente ser através da dor, porém quando a dor aparece,  vale como um sinal que alguma transformação ou ação precisa ser tomada para algo de melhor e proveitoso para o ser.


CARTA PARA DEUS


No início desta trajetória de perdas afetivas tentei entender os passos de Deus pela minha própria necessidade de aquietar e aceitar o inaceitável.
Minha carência não dava espaço à revolta, Deus era meu aliado e melhor com ele do que sem ele. Havia inúmeros questionamentos que gostaria de respostas, porém sabia que as respostas estavam além da minha consciência. Então de nada valia cobrar.

Por um tempo, fiz um acordo com Deus que eu iria viver o que pudesse, a juventude perdida, os desejos da matéria, e que nada ele me cobrasse, afinal ele fez o que quis, então eu também ia fazer o que eu pudesse para sobreviver. Sem críticas da parte dele e sem ressentimentos da minha parte, afinal ele sabia que por um tempo eu patinaria diante de tantas emoções que não sabia lidar.

Eu sabia que meu espírito entendia o que estava se passando, porém minha consciência de 20 anos ainda não.

Fiz algumas escolhas que patinei ainda mais por alguns anos e retardei vários setores da minha vida. Controlei e me deixei controlar por várias pessoas e situações que o momento ia proporcionando. Sabia que Deus confiava em minha capacidade, mas também que ele tinha que me dar um tempo, para superar aquela “porrada”.

Após 7 anos do falecimento do Thiago,  propus um novo acordo a Deus. Disse a ele que não sabia o que nós dois havíamos planejado para a segunda etapa da minha vida. Estava próxima dos 30 anos e sabia que a calmaria ia chegar, que investiria no meu coração generoso e tentaria como sempre,  entender os mecanismos de Deus sem ressentimento. Nesta segunda fase eu não queria mais viver nada tão difícil como na primeira. Que eu mesma estava denominando uma segunda fase porque iria em busca da consciência, de resgatar o equilíbrio em várias partes da minha vida que havia ficado para trás. Precisava de paz para poder fazer isso, não dava para ser com turbulências e que eu iria de livre e espontânea vontade, sem pressão.
Não estava eximindo do meu envolvimento quanto às minhas escolhas e responsabilidades perante a vida espiritual.
Sabia que meu desejo era de equilíbrio, aprendizado, entendimento, porém tinha que ter paciência comigo e não me impor mais pressão do que a minha história já tinha feito.
Apesar de nunca ter recebido assinado, assim foi, ele cumpriu sua parte. Pensei que o acordo seria assinado a partir dos meus 30 anos, como propus, mas ele assinou só nos meus 35 anos. Deve ter tido as razões dele.
E assim fui caminhando com Deus, ora meu aliado, ora meio irresponsável me deixando fazer escolhas muito atrevidas, mas alinhados no mesmo objetivo, minha evolução.

Meu Deus interno foi amadurecendo junto comigo, me entendendo e eu a ele. Foi se tornando um amigo, daqueles que alisa e dá bronca, mas que não te solta nunca. Fomos construindo uma relação mais madura e companheira. Ainda hoje, temos nossas divergências, mas sei que ele não se arrependeu de confiar em mim e eu muito menos por confiar nele.
Ainda estamos namorando, e como namorados ora acredito que ele está comigo, ora que ele vai pisar na bola, mas continuo investindo nele e ele em mim.

Depois de 10 anos deste acordo, aos meus 45 anos ele é que me chamou e propôs um novo acordo. Renegociou propondo agora uma parceria, claro que eu tenho que entrar com a mão de obra e ele com as idéias. O que fazer né? ainda é melhor do que ficar com 50% e um sócio fraco, pelo menos ele, eu sei que trabalha e direito.
Este novo contrato requer que eu vá num nível ainda mais profundo nas minhas questões, que enxergue o outro, que lide com emoções do materno que ficaram a lidar e cuide da minha vida espiritual e pratique o acolhimento. Topei sem regatear, sei que ele não vai me deixar na mão e vai estar sempre me apoiando e comemorando minhas vitórias e juntando meus caquinhos nos momentos mais difíceis.
Ele também sabe que estaremos sempre negociando, mas o importante é que chegamos num acordo de ser sempre bom para nos dois.


Entendi nesta relação que tenho construído com Deus que nunca perco nem ganho e sim experimento e aprendo com as emoções e sentimentos que vivo o que é o AMOR A MIM MESMO, AO OUTRO E A VIDA.

Agora aos 51 anos sinto a alegria de ter construído minha família Universal, abrindo um espaço para  partilhar e acolher o amor, a dor, a alegria, a amizade, a generosidade....  com tantos que cruzam o meu caminho me deixando fazer parte de suas histórias e podendo dividir a minha. 


FELICIDADE

Não me sinto vítima da minha história, ao contrário, eu sou minha história, e minha história tem  me tornado quem sou, gosto muito do que me tornei. Aprendi a respeitar minhas limitações e minhas escolhas. Entendo e aceito meus erros e acertos, pois sei que eles fazem parte da minha jornada evolutiva e que este é o mecanismo de aprendizagem. 

O investimento na minha reconstrução nestes últimos 15 anos ressignificou a minha vida. Sei que ainda tenho muitos desafios graças a Deus, e quero atravessá-los com alegria e amor. Respeito tudo que penso e crio, sei que tenho a jornada de  ampliar minha consciência é diária  sobre tudo e todos que são importantes para mim. Busco fazer o meu melhor, me cercar de amigos que são a amorosidade em pessoa para que possa cada vez mais aprender a impulsionar a minha jornada com muito AMOR.

Aprendi a importância de ser desafiada a crescer, ter respeito pela dor e pelo medo, pelo que sento, o que gosto e não gosto, dando um tempo para amadurecer quando necessário.

Tudo fica mais fácil quando presto atenção aos sinais que a vida me trás facilitando meu caminho. Exploro minha criatividade para me ajudar a sair das situações indesejáveis. Gosto de ter objetivos e segui-los, pois quando não tenho fiquei muito solta, e solta sou um perigo. Luto contra qualquer sinal de preguiça ou estagnação, pois quero aproveitar o máximo da minha oportunidade de estar vida.   


Sei que a FELICIDADE não é apenas o que sou capaz de enxergar, devido minhas limitações, mas posso vive-la completamente dentro de cada etapa das minhas possibilidades. SOU FELIZ pelo que consegui ser ate agora.

Sou cúmplice da minha situação e entendo que a vida não é minha inimiga, o objetivo de tudo é o aprendizado.
SOU UMA SOBREVIVENTE COMO TODOS.


EQUILÍBRIO


Posso dizer que encontrei meu equilíbrio nas diversas partes da minha vida quando percebi que toda responsabilidade de ser feliz ou infeliz saudável ou doente, produtiva ou improdutiva, presente ou ausente, criadora ou paralisaDA, dependente ou independente, corajosa ou medrosa, dependia DE MIM. Se existe alguma mágica, quem poderia fazê-la era eu. Todo o Universo conspira a meu favor, toda energia esta a disposição, mas nossa parte é aprender a usá-la. Tudo depende de como ENXERGO, qual a VISÃO que eu tenho da VIDA. Eu escolho como quero ver a mim ao outro, se seu pior ou seu melhor, se com amorosidade ou rigidez, se com amizade ou interesse, se com troca ou escassez, se com generosidade ou mesquinhez, se com paciência ou intolerância... TUDO DEPENDE DO QUE EU DECIDO ESCOLHER.


Temos o livre-arbítrio para escolhermos nossos caminhos, COM QUEM vamos caminhar, PARA ONDE vamos FAZER O QUE e COMO? Quanto mais conscientes e auto determinados, mas assertivas serão as escolhas e suas conseqüências férteis.  


AMOR


Só entendi o sentido do amor com a maternidade, principalmente quando tive que cultivá-lo à distância, sem o contato físico, sem ouvir a voz, o cheiro, o tato, sem poder beijar, pegar, olhar para a criação das minhas próprias entranhas. Aí talvez até por não ter outra opção, fui buscar outro caminho para viver e conhecer o AMOR. Todos os sentidos da matéria parecem ser tudo quando vivemos na matéria, mas creio, que não é. O AMOR encontra-se em várias dimensões e é impulsionador na nossa jornada.

Quando flexibilizei um novo olhar para o AMOR me apareceu o melhor companheiro que poderia ter nesta minha jornada. Esta relação de 16 anos tem gerado frutos muito produtivos, temos nos desenvolvido, nutrido e crescido com este relacionamento. 


DEPOIS DE 29 ANOS...........

Ainda continuo aqui, acreditem muitas coisas mudaram, mais experiente, amei muito, vivi muitas alegrias e tristezas durante estes anos, dei meu melhor e meu pior em várias situações que vivi, passei por muitas perguntas e respostas, fiz muitos amigos, morei em muitos lugares,

MAS NUNCA PERDI MEU FOCO DE APRENDER COM O AMOR.

10-10-2010 
Hoje fazem 26 anos que o Thiago fez sua viagem de volta para o mundo espiritual.
Hoje faz também um ano que comecei a escrever este blog. 

LIVRE

Depois que escrevi minha experiência materna eu recebi muitos telefonemas e mensagens de amigos e pessoas que leram e dividiram comigo sua tristeza, suas lagrimas, sua emoção e sua identificação com diferentes partes da minha experiência.
Quero agradecer a toda expressão de carinho e amor que tenho recebido, tem sido de grande significado emocional para minha trajetória.
Conclui que todos deveriam escrever seu blog contando sua experiência, pois causa um incrível impacto na vida do outro e acrescenta na vida de quem as viveu.
Quero dividir com vocês a emoção ou sensação que passei a sentir de estar LIVRE um tempo depois que reparti com todos a minha historia.

LIVRE da ENERGIA PSÍQUICA  na qual estive conectada todos estes anos.  

LIVRE para direcionar esta ENERGIA PSIQUICA para outros focos importantes para a minha jornada evolutiva.

LIVRE para construir novas bases e estruturas na qual estarei centrada.   

LIVRE para fechar este ciclo de sofrimento e dor e abrir um novo ciclo de conscientização e auto responsabilidade.

LIVRE para somar a minha bagagem toda este conteúdo com muito AMOR.

LIVRE para navegar em águas mais profundas do meu SER.

Um beijo grande a todos


Rosana De Rosa